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  • Writer's pictureGiulia Drummond

Some considerations - Magical Music


Photo: Helena Cooper

(português abaixo)


So, here are some considerations I find very important about making Magical Music: keeping the ears wide open is the first thing. Actually, that brings the magic word, the best friend of the Sound: Silence. Silence. Listen. to. the Silence. Don’t rush into singing or playing. Connect with the silence in and outside. Connect with the Sounds that live within the Silence. That really helps opening our ears, our hearts to whatever it is that needs to be expressed and ritualized. Listen to it. I’m not talking necessarily about meditation. I’m talking about the simple but also challenging exercise of listening. No use in singing if you can’t listen. First thing is listening. All the silences and sounds of nature carry magical music in them. The rain and all moving waters, the wind, the fire. Birds, very especially.

One of the first songs I wrote, Tapera Naevia (o canto do saci) was inspired by a bird’s strange two-notes tune. A mysterious bird, Tapera Naevia, which, in Brazil, is associated with different spooky legends, such as the Saci, a kind of gnome, a trickster really, who looks like a little one-legged black boy with a red pointed hat, always smoking a pipe, who moves around in a whirlwind playing tricks on humans ans animals. Another legend associated with the same bird says it is a manifestation of Matinta Pereira, a scary witch. If you hear this bird singing, you know something spooky is around, that’s for sure. I would never be someone to claim it’s something evil. But spooky, yes. I’d never doubt that. When I first heard this bird, I was spooked. It literally sang all night long. And I couldn’t properly fall asleep. I was half awake, and started to sing back to the bird. The person I was sharing the tent with looked at me and asked “What are you doing?” I answered, half-asleep “I’m singing with the bird”. Of course the following morning I couldn’t remember what I sang. But that mysterious sound never left my mind, and months later I was able to actually write the song, with Lucina’s help.

I have written many other songs inspired by birds since then. In my second album, there’s two of them. None has lyrics. I thought that the bird’s melody with my own creation on it was more than enough. Birds enchant without words, so, from them I learned that we don’t necessarily need words to create enchantment. Being a poet, it was a radical insight.

But keeping your ears wide open you can find music really anywhere. The sound of a motor running, for example. I have heard music coming from the pipes when I’m taking a shower. And created songs from that. Sometimes your ear catches something you have no idea where it came from. I believe faeries can bring melodies to us as well, the strangest most magical of them. Dreams can bring songs. Or ideas on what to sing, if you’re building a repertoire. If I dream of a song that exists, on that day I’ll work on that song, study it, practice it. If I dream of a song that I don’t recognize… Jackpot! Paying attention to dreams, registering them on notebooks, is a very serious and brilliant way of strengthening one’s magic. Many important inspirations come in dreams, and the best thing is being open to these enigmatic messages.

Well, all that being said, of course this whole idea of Magical Music brings an holistic view of things. An understanding that, for example, what is inside influences what is outside, and vice versa. Growing my repertoire with languages I don’t even speak and being able to make people feel touched by them just shows that language is not a barrier. In this case, Music is the language itself. Again, in Magical Music, the words are not the most important thing. The words are merely filling the rhythm and the melody. It’s the experience of the Music itself that is transformative. But of course, if words are being sung, you should know a general meaning to them, because they too have power. Choose inspired words, always.

Being a graduated psychologist, and studying Jung, I come from the affirmation of the existence of a Collective Unconscious, which keeps ancestral information that we all share, no matter where we were born. Everything that’s human should necessarily affect us, and move us. Well, I think we should even go further into an ecological view and look at all beings in this planet as siblings of ours. If we took care of every living being as a brother or sister, we would certainly have a much healthier planet. And then I go back to what I have mentioned before: having nature as a source of inspiration and giving it back to nature with our expression. Animals and plants can feel it as we do. So, why not think a performance as a ritual involving everything we have inside and everything that surrounds us, that affects us by only existing? Feel every performance as a sacred offering to the gods and goddesses we all carry within us.


That's all for today, folks! If you wanna hear my three recorded bird songs, here they are:


Tapera Naevia (o canto do saci)







Retomar o pássaro, with Mags Nisbet Macfarlane's beautiful artwork and video






Paixão de Passarinho

meaning: Birdies in Love









Agora em português:

Então, aqui para vocês algumas considerações muito importantes sobre fazer Música Mágica: manter os ouvidos bem abertos é a primeira coisa. Na verdade, isso me traz a palavras magiquíssima, o nome do melhor amigo do Som: o Silêncio.

Silêncio.

Escute. o. Silêncio.

Não se apresse pra cantar ou tocar. Conecte-se com o silêncio interior e exterior. Conecte-se com os sons que habitam o Silêncio. Isso realmente ajuda a abrir nossos ouvidos e nossos corações para o que quer que precise ser expresso e ritualizado. Escute. Não estou falando necessariamente de meditação. Estou falando do simples mas também desafiador exercício de escutar (nas palavras de Luhli, “eu não sei dizer nada por dizer, então eu escuto”). Como cantar sem saber escutar? A primeira coisa é escutar. Todos os silêncios e sons da natureza carregam música mágica em si. A chuva, todas as águas em movimento, o vento, o fogo… Passarinhos, muito especialmente.

Uma das primeiras canções que escrevi, Tapera Naevia (o canto do saci) foi inspirada no estranho canto de um passarinho, um canto de duas únicas notas. Esse pássaro misterioso, Tapera Naevia, no Brasil é associado a duas lendas. Uma, a que minha canção traz, é nosso querido Saci. A outra é Matinta Pereira, uma bruxa bem assustadora. Se você escuta esse pássaro cantar, você sabe que algo arrepiante está por perto. Eu não seria aquela a dizer que é algo do mal. Mas arrepiante sim. Quando ouvi esse pássaro pela primeira vez, na Chapada dos Veadeiros, fiquei totalmente fascinada. O diacho do passarinho cantou literalmente a noite inteira. E eu não consegui dormir profundamente em nenhum momento daquela noite. Fiquei o tempo todo semi-acordada, até que comecei a de fato cantar de volta. A pessoa que estava acampada comigo perguntou “O que está fazendo?” e eu respondi, semi-adormecida, “Cantando com o passarinho”. Claro que na manhã seguinte eu não me lembrava o que havia cantado. Mas o som misterioso nunca saiu da minha cabeça, e meses depois pude enfim escrever a canção, com a ajuda de Lucina.

Depois disso, passei a escrever várias canções inspiradas por cantos de pássaros. No meu segundo álbum, há duas delas, nenhuma com letra. Entendi que o canto dos pássaro com minha própria criação sobre eles era mais do que suficiente. Passarinhos encantam sem palavras, e com eles aprendi que eu não necessariamente precisava de palavras para criar experiências de encantamento. Sendo poeta, devo dizer que foi um insight bem radical.

Enfim, mantendo os ouvidos bem abertos, você pode descobrir música em qualquer lugar, de qualquer fonte. O som de um motor, por exemplo. Já me aconteceu de ouvir música vindo dos canos durante o banho, e daí escrever canções. Às vezes, nosso ouvido capta algo que nem temos ideia de onde veio. Eu acredito que fadas (elementais, encantados…) possam também nos trazer melodias, as mais estranhas e mágicas. Sonhos podem trazer canções. Ou ideias do que cantar, se você está construindo um repertório. Se eu sonho com uma música que existe, naquele dia trabalho com ela. Estudo, pratico. Se sonho com uma canção que não reconheço… Bingo! Prestar atenção aos sonhos, registrá-los em cadernos, é outra coisa que considero uma forma séria e brilhante de fortalecer nossa própria magia. Muitas inspirações importantes vêm através dos sonhos e a melhor coisa é estarmos abertes para essas enigmáticas mensagens oníricas.

Dito isto tudo, claro que a ideia de Música Mágica traz uma visão holística das coisas. Uma compreensão, por exemplo, de que o que está dentro influencia o fora, e vice-versa. Ao expandir meu repertório com canções em línguas que sequer falo, e fazendo as pessoas se sentirem tocadas por tais canções, mostra que o idioma não é uma barreira. Nesse caso, a linguagem é a Música em si. Mais uma vez, a questão da palavra como não sendo o ponto mais importante deste trabalho. As palavras preenchem o ritmo e a melodia. É a experiência da Música em si que é transformadora. Mas claro que se existem palavras sendo cantadas, é bom você minimamente saber o significado. Claro que palavras também têm poder, e muito. Escolha palavras inspiradas e inspiradoras.

Sendo formada em psicologia e estudando Jung, venho da afirmação da existência de um Inconsciente Coletivo, que “contém” informações ancestrais que todes compartilhamos, independente de onde nascemos. Tudo que é humano deveria nos afetar e mover e comover. Bom, acho que devemos ir ainda mais além, pra uma visão ecológica e olhar para todos os seres nesse planeta como nossos irmãos. Se tratássemos todos os seres vivos como um irmão ou uma irmã, teríamos certamente um planeta muito mais saudável. E agora volto ao que mencionei antes: ter a natureza como fonte de inspiração e devolver à natureza a nossa expressão; Animais e plantas podem sentir, como nós sentimos. Por que não pensarmos a performance como um ritual envolvendo tudo que temos dentro e tudo que nos rodeia, que nos afeta pela sua simples existência? Sentir cada performance como uma oferenda sagrada aos deuses e deusas que carregamos dentro de nós.


Por hoje é só, pessoal. Se quiser ouvir minhas três músicas de passarinho já gravadas, volta um pouquinho pra ponte entre o texto em inglês e o texto em português =)


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